Gravidez, nutrição e saúde

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A gravidez é um fenômeno fisiológico o qual acarreta uma série de transformação no organismo materno, com a finalidade de garantir o crescimento e o desenvolvimento fetal e ao mesmo tempo proteger o organismo materno. Para que ocorra um crescimento e desenvolvimento fetal adequado é necessária a oferta adequada de nutrientes. É ilusão a idéia de que a gestante/nutriz necessita de alimentação abundante. O excesso calórico não tem qualquer vantagem e seus malefícios estéticos e fisiológicos são amplamente conhecidos.

Durante uma gravidez normal são consumidas, para a geração do feto e nos mecanismos de adaptação do organismo materno, cerca de 80.000 kcal (durante os 280 dias da gestação). Esse montante representa acréscimo diário de cerca de 300 kcal na dieta da gestante. Durante uma gravidez normal, são sintetizadas cerca de 1.000 gramas de proteína – 500 g no feto, 60g na placenta e 440 g no corpo da gestante. A recomendação comum de proteínas na gestação é de 1,1 g/kg/dia, nas mesmas proporções quanto à fonte (2/3 de origem vegetal e 1/3 de origem animal). O aumento da massa de eritrócitos, o desenvolvimento do feto, das mamas, do útero, da placenta e as perdas sanguíneas no parto e puerpério elevam a necessidade diária de ferro no período gestacional e puerperal de 3 para 4 mg.

O aumento da necessidade de vitaminas e minerais no segundo e terceiro trimestres da gestação é acompanhado pelo correspondente aumento do apetite no mesmo período. O consumo de ácido fólico duplica na gestante/nutriz. Apesar disso, a deficiência dessa vitamina na gravidez/lactação é pouco comum, devido à sua abundância em vários alimentos, especialmente nas verduras de folhas.A alteração dietética e/ou a suplementação passa a ser necessária sempre que seja indiscutível a existência de deficiências específicas.

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Ômega-3

A saúde mental da mulher requer considerações especiais em vista do maior risco de desenvolvimento de depressão e desordens de ansiedade e o impacto de problemas na saúde mental na gravidez e na criação dos filhos. A depressão materna está associado com um maior prejuízo em sua habilidade ou motivação em sincronizar com o estado mental do bebê. Como consequência, a criança de mães depressivas são mais propensas a expressar dificuldades relacionadas com a regulação emocional e social durante a infância e adolescência, assim como um atraso cognitivo e sócio-emocional.

O consumo de peixes tem sido relacionado com uma saúde mental melhor devido aos seus nutrientes como ômega-3, vitamina B12, vitamina D, iodo, selênio e proteínas de alta qualidade. Estudos observacionais e clínicos tem avaliado a possibilidade do papel no consumo de ômega-3 e a etiologia da depressão pós parto (DPP) e sugerem uma associação com o menor nível de ômega-3 e a ocorrência da DPP. O feto em desenvolvimento tem uma maior demanda de DHA (parte do ômega-3) e um consumo de peixe rico nesse nutriente é importante.

O DHA é um dos componentes fundamentais para o cérebro e o sistema nervoso, participando ativamente no crescimento, desenvolvimento e estrutura do cérebro. Pesquisadores afirmam que mulheres que não conseguem aumentar o consumo de peixes por algum motivo devem consumir uma suplementação de ômega-3, prescrita pelo médico ou nutricionista.

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Saúde oral

A saúde geral e oral da gestante é imperativa para uma boa qualidade de vida do recém-nascido e da mãe. Doenças dentais tem o potencial de provocar prejuízos na gravidez. Tem sido relatado que a doença periodontal possa estar associada com esses prejuízos nessa fase como partos prematuros, baixo peso do bebê ao nascer e pré-eclâmpsia. O período perinatal é um momento oportuno para educar e para realizar tratamentos dentais nas futuras mães.

Durante as mudanças na gravidez, alterações hormonais e aumento no consumo de açúcar são comuns. Qualquer elevação na decadência dentária durante a gravidez pode ser resultante de mudanças na dieta e na higiene oral. Beliscos frequentes aumentam o risco de desenvolvimento de cáries e placa dentária. A dieta tem um papel crucial na saúde geral da gestante e do feto.

Mudanças fisiológicas durante a gravidez podem resultar em mudanças notáveis na cavidade oral. Essas mudanças incluem a gengivite na gravidez, lesões gengivais orais benignas, mobilidade dentária, erosão dentária, cáries e periodontite. Antes da mulheres engravidar ela deve visitar o dentista para que haja um exame cuidadoso e tratamento de eventuais problemas orais.

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Nos exercícios

A inatividade física durante a gravidez é uma causa de preocupação, pois mulheres que não fazem algum exercício físico não aproveitam de seus inúmeros benefícios. A atividade física durante a gravidez está associada com um menor risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro, assim como melhora na tolerância a dor, menor ganho total de peso e de massa gorda e, melhora da auto-imagem. O guia americano de exercícios físicos recomenda que todas as mulheres saudáveis devem realizar pelo menos 150 minutos de atividade aeróbia por semana de moderada a intensa durante a gravidez.

Existem alguns casos específicos onde a atividade física não é recomendada ou é recomendada com algumas restrições e por isso devem ser liberada por um médico. Os exercícios promovem o tônus muscular, a força e a resistência, o que ajuda o corpo a carregar o peso extra da gravidez; diminui desconfortos físicos, como dores nas costas, prisão de ventre, fadiga e inchaço, além de ajudar a manter o humor mais estável. A atividade física moderada não causa depleção ao feto se houver ingestão adequada de nutrientes. Depois da 13ª semana de gravidez, deve-se adicionar 300 kcal/dia devido ao aumento do metabolismo da gestante, e quando essa for praticante de atividade física, o incremento calórico deve ser ainda maior.

Uma alteração bem documentada na literatura é o aumento do fluxo sanguíneo na circulação útero-placentária durante o exercício físico estimulando o crescimento placentário. Os pontos positivos que confirmam os benefícios dos exercícios na gestação são o menor tempo de trabalho de parto, menos complicações fetais como presença de mecônio e menor incidência de necessidade de parto cirúrgico. Alguns estudos afirmam que a atividade física pode inclusive incrementar o desenvolvimentohipocampal, sugerindo um benefício no da prática de exercícios na gestação no aprendizado e memória da criança.

Exercícios físicos regulares moderados tem demonstrado atenuar os sintomas de depressão na população geral e reduzir a sintomatologia da depressão de tratamentos farmacológicos.  Um estilo de vida sedentário a longo prazo está associado com um maior risco de doenças crônicas no decorrer da vida como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e depressão. Os pesquisadores acreditam que o exercício físico ajude a melhorar o quadro por meio da liberação de endorfinas, da reatividade do cortisol (hormônio do estresse) e da mediação do sistema imune.

A maioria da literatura estuda os benefícios dos exercícios físicos no período pós-parto, quando os sintomas depressivos já estão presentes. Outros estudos afirmam que também há a necessidade dessa prática ante-natal. Pesquisadores relatam que mulheres sendentárias durante a gestação aumentam o risco de depressão pós parto em até 34%.

 

Referências:

FONSECA, C.C. et al. Gestação e atividade física: manutenção do programa de exercícios durante a gravidez, R. bras. Ci. eMov, v.20, n.1, p.111-121, 2012.

GASTON, A.; CRAMP, A. Exerciseduringpregnancy: A reviewofpatternsanddeterminants, Journalof Science and Medicine in Sport, v.14, p.299-305, 2011.

GUIDA, J. et al. Antenatalphysicalactivity: Investigatingtheeffectsonpostpartumdepression, Health, v.4, n.12, p.1276-1286, 2012.

MARKHUS, M.W. et al. Low Omega-3 Index in PregnancyIs a PossibleBiologicalRiskFactor for PostpartumDepression, PLOS ONE, v.8, n.7, 2013.

PARIZZI, M.R. et al. Nutriçãp na gravidez e na lactação, Rev Médica de Minas, 2010.

PATEL, A.R. et al. Oral Health Care in Pregnancy: A CollaborativeEffortby Health CareProfessionals, RRJDS, v.2, n.1, 2014.

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