Obesidade e Saúde

A obesidade é uma doença que já se tornou uma epidemia aqui no Brasil e no Mundo. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada entre 2008-2009 a obesidade afeta cerca de 14,8% da população brasileira adulta, atingindo 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres. A obesidade infantil também vem crescendo assustadoramente. O IMC (índice de massa corporal) é muito utilizado como preditor de obesidade, mas não é conclusivo já que o peso do corpo não consiste somente de gordura. De acordo com os parâmetros normais de IMC uma pessoa saudável adulta fica entre 18,5-24,9, um sobrepeso entre 25-29,9 e acima de 30 já é considerado como um indivíduo obeso.

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A distribuição da gordura pode ocorrer principalmente de duas formas, com acúmulo ma região do abdômen (androgênica) ou com acúmulo nos quadris (ginóides). Um acúmulo excessivo de gordura pode causar diversos problemas para a pessoa inclusive uma maior incidência de doenças crônicas. A obesidade é considerada uma doença a qual a genética somada aos hábitos alimentares e estilo de vida propicia esse aumento de gordura corporal excessivo. Outros fatores como a idade, gênero, gravidez, alterações hormonais e medicamentos também influenciam no seu desenvolvimento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde a obesidade é considerada uma ameaça à saúde visto que ela aumenta o risco de desenvolvimento de outras patologias como a diabetes, a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças articulares, distúrbios psiquiátricos e certos tipos de câncer, além de diminuir a longevidade. Principalmente a gordura visceral observada nessas pessoas causa desequilíbrios metabólicos como a resistência à insulina e um aumento de citocinas inflamatórias que aumentam o risco de desenvolvimento dessas doenças.

Ela causa uma vasoconstrição aumentando a resistência da passagem sanguínea provocando assim um aumento de pressão no sistema circulatório já que o coração é obrigado a bater mais depressa e com mais força. A resistência a insulina decorrente da ineficiência de sua produção aumenta os níveis de glicose sanguínea que também contribuem com lesões nas paredes dos vasos sanguíneos. Esse aumento da pressão pode levar a danos renais. O excesso de peso sobrecarrega as articulações dificultando a mobilidade do indivíduo e a prática de uma atividade física, contribuindo para o sedentarismo e o contínuo ganho de peso.

Por ser uma doença inflamatória aumenta a incidência de doenças reumatológicas como a artrite. Nos casos de câncer essa inflamação facilita a proliferação das células cancerígenas e ao desenvolvimento da doença. Por esse mesmo motivo há uma maior chance de desenvolvimento de doenças neurológicas como o Alzheimer e o Parkinson. Desequilíbrios da via da SIRT1 levam a uma menor longevidade.

Os hábitos alimentares influenciam diretamente no início e progressão da doença. A prevenção da obesidade começa ao nascer com o aleitamento materno já provado por estudos como um preventivo. A dieta no geral deve ser bem equilibrada e conter os principais nutrientes e rica em fibras, vitaminas e minerais.  Além disso, uma hidratação adequada, menor consumo de álcool e fumo e, a prática de atividade física regular aliados a alimentação saudável são essenciais para a prevenção e tratamento dessa epidemia.

Obesidade e depressão

Além dos prejuízos físicos gerados pela obesidade ela também pode causar problemas psicológicos aos indivíduos visto que a maioria deles não está contente com a estética corporal, além de serem alvo de discriminação e preconceito, o que contribui para o desenvolvimente de psicopatologias, como a ansiedade e a depressão. Em uma meta-análise de 2010 publicada na Arch Gen Psychiatry pessoas obesas tem um risco de até 55% de desenvolverem depressão, assim como pessoas depressivas tem um risco de até 58% de se tornarem obesas, portanto, é uma relação bidirecional.

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A obesidade é uma doença inflamatória e que ativa vias inflamatórias, sendo que a alteração da via hipotalálamo-pituitária-adrenal (HPA) está associada com o desenvolvimento da depressão. Além disso a obesidade está relacionada com a resistência insulínica e risco de diabetes mellitus o que pode causar alterações cerebrais. Com o estereótipo de beleza cada vez mais acentuado, a precepção corporal dos obesos e a necessidade de inclusão favorece um estresse psicológico e uma tendência ao desenvolvimento de distúrbios alimentares.

Pesquisas indicam que a obesidade leva a longo prazo um acúmulo de gordura abdominal, devido ao desequilíbrio da via HPA e, um desbalanço entre a liberação de cortisol e de insulina. Além disso, o estilo de vida dessas pessoas como o sedentarismo e uma dieta inadequada aumentam o risco de depressão.

Obesidade e exercícios

Os benefícios da atividade física para a saúde de uma pessoa já são bem conhecidos e principalmente para indivíduos obesos esses benefícios são de grande valia. A prática regular de atividade física é conhecida por diminuir o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, por melhorar a resistência à insulina, o condicionamento cardiovascular e a pressão arterial. Além disso, previne contra outras doenças crônicas, auxilia na perda de gordura corporal, melhora a resistência muscular e diminui os níveis de colesterol e triglicerídeos.

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O sedentarismo favorece um acúmulo de gordura, principalmente a gordura visceral (nos órgãos) comprometendo o funcionamento dos órgãos e consequentemente do organismo como um todo. O exercício físico aumenta o gasto calórico acelerando o metabolismo e diminuindo a gordura visceral. Os estudos relatam que todas as cargas de atividade física de leve a moderada fornecem os benefícios à saúde dos indivíduos obesos, mas fatores como duração, tipo de exercício, raça, idade, entre outros podem influenciar nos resultados.

O exercício físico melhora a capacidade do músculo em utilizar a energia proveniente da gordura. Há uma melhora na capacidade oxidativa da mitocôndria com uma maior recaptação de glicose decorrente da melhora da resistência à insulina o que propicia um melhor rendimento energético.

Referências:

LUPPINO, F.S. et al. Overweight, obesity, and depression. Arch Gen Psychiatry, v.67, n.3, 2010.

MARTINS, I.J. et al. The acceleration of aging and Alzheimer´s disease through the biological mechanisms behind obesity and type II diabetes. Health, v.5, n.5, 2013.

SLENTZ, C.A.; HOUMARD, J.A.; KRAUS, W.E. Exercise, abdominal obesity, skeletal muscle, and metabolic risk: evidence for a dose response. Obesity, v.17, Suppl.3, 2009.

VARELLA, D. Coleção Doutor: guia prático de saúde e bem-estar, Obesidade e Nutrição. Editora Gold, São Paulo, 2009.

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