Ômegas e sua relação com a saúde

As gorduras desempenham inúmeras funções no nosso organismo e seus componentes são os ácidos graxos que podem ser divididos em saturados, monoinsaturados e poliinsaturados. Dentres os poliinsaturados estão o ômega-3, o ômega-9 e o ômega-6. Esse último pode ser encontrado na forma de ácido araquidônico ou ácido linoléico. Alguns desses ácidos graxos são essenciais, ou seja, só são obtidos por meio da dieta. É o caso do ácido linoléico. Em quantidades adequadas o ômega-3 e o 6 desempenham papel importante na prevenção de doenças cardiovasculares, doenças inflamatórias, desenvolvimento neural, trombose, câncer e melhora na imunidade.

O equilíbrio entre a ingestão dessas duas famílias de ômega é necessário para que não haja um aumento de citocinas inflamatórias. Isso é bem comum na dieta ocidental, visto que o consumo de ômega-6 é maior do que o de ômega-3. Os alimentos ricos em ômega-6 são os óleos vegetais, o azeite, peixes de água quente, nozes, ovos, carne animal e leite. Segundo o Institute of Medicine a razão ideal de ômega-6/ômega-3 é de 10:1 a 5:1. Um excesso de ômega-6 aumenta os níveis de eicosanóides e consequentemente a inflamação e o risco para o desenvolvimento de doenças.

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Na dieta atual essa relação encontra-se de 15:1 a 40:1. O ácido araquidônico em excesso faz mal, mas em quantidades adequadas serve de substrato para outros eicosanóides com função antiinflamatória e antiagregante como a prostaciclina, a lipoxina A4 e ácidos epoxieicosatrienóicos, que possuem efeito vasodilatador. A relação ideal pra cada indivíduo pode ser melhor estabelecida por um nutricionista a fim de obter os benefícios que o ômega-6 nas quantidade adequadas pode proporcionar.

Os ácidos graxos poliinsaturados exercem inúmeros benefícios à nossa saúde, que vão desde a prevenção de doenças como as cardiovasculares, como a diabetes, o câncer, de pele, artrite e neuronais. Dentres esses ácidos graxos o mais conhecido é o ômega-3 o qual seus benefícios estão relacionados com a sua incorporação nas membranas celulares o que leva a produção de citocinas antiinflamatórias. Ele é necessário para o crescimento e desenvolvimento ideal do feto além de um melhor desempenho cognitivo.

Concentrações adequadas de ômegas melhoram o perfil lipído (triglicerídeos e frações de colesterol), entretanto seu excesso pode causar o contrário, ou seja, aumento nesse perfil. A inflamação tem sido um fator predisponente da aterosclerose e o consumo desses ácidos graxos diminui as citocinas pró-inflamatórias e a chance de agregação plaquetária. Pesquisadores acreditam que o consumo de ômega-3 pode ajudar a regular a pressão arterial, já que exerce efeitos benéficos nas vias de vasodilatação. Estudos demonstraram relação inversa entre o consumo de ômega-3 e o desenvolvimento de câncer coloretal e de mama.

Outras pesquisas demonstraram benefícios do ômega-3 na melhora da função cerebral. Geralmente os níveis desse ácido graxo são baixos em pessoas com esquizofrenia, déficit de atenção, dislexia, hiperatividade, depressão, demência, Alzheimer e transtorno bipolar. O ômega-3 diminui o estado infamatório do cérebro melhorando o quadro desses pacientes. Apesar de todos os benefícios a relação entre o consumo deles deve ser respeitada para que não ocorra um desequilíbrio sistêmico.

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Na estética

Os benefícios dos ácidos graxos poliinsaturados para a saúde, como o ômega-3, 6 e 9, são bem conhecidos principalmente se tratando da prevenção de doenças, mas poucos sabem que eles também auxiliam na saúde da pele. O ácido linoléico (ômega-6) e seus derivados tem um papel importante na estrutura e função na permeabilidade da barreira do extrato córneo, alterações comuns em pessoas com dermatite atópica.

Esse ácido graxo é precursor das ceramidas e pode modular a resposta imune da epiderme, pois influencia os linfócitos T exercendo influências positivas em dermatoses inflamatórias, acne, psoríase, dermatite atópia, lúpus eritematoso e câncer de pele. Já o ômega-3 serve de ligante dos receptores ativadores-proliferadores do peroxisomo (PPARs), os quais são importantes no metabolismo lipídico, equilíbrio da glicose e da insulina, assim como na regulação da inflamação, imunidade, e barreira cutânea. Também é utilizado no tratamento de doenças inflamatórias da pele e do câncer de pele, incluindo o melanoma.

Quando há uma deficiência desses ácidos graxos há um comprometimento com a permeabilidade da barreira da pele o que resulta em uma desidratação da epiderme. A relação do consumo desses ácidos graxos deve ser adequada, pois em excesso pode provocar o aumento de inflamação e a piora da aparência da pele. Essa mediação inflamatória é realizada na sua maior parte pelo ômega-3 (peixes, vegetais verdes escuros, óleo de linhaça e de chia) e por isso têm papel importante na prevenção de doenças como o câncer de pele.

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Na atividade física

As doenças cardiovasculares lideram o ranking de morbidade e mortalidade mundial e de acordo com as pesquisas a atividade física regular de leve a moderada e o consumo adequado de ômegas (ácidos graxos poliinsaturados) podem ajudar na prevenção e tratamento dessas doenças. Normalmente elas aparecem devido à uma queda na produção de óxido nítrico (vasodilatador) e um aumento dos radicais livres (estresse oxidativo) decorrente da rotina estressante e da dieta rica em gorduras e açúcares.

O exercício físico regular melhora a defefa antioxidante do organismo além de melhorar a perfusão sanguínea. O estresse oxidativo tem sido associado à diminuição da performance, fadiga, dano muscular e excesso de treinamento. Alguns alimentos ajudam a diminuir esse estresse e dentre eles estão os ricos em ômegas. A ingestão adequada de ômega- 3 e ômega-6 têm demonstrado causar alterações no perfil lipídico, diminuindo os triglicerídeos e aumentando o HDL, além de mediar a produção de citocinas inflamatórias e o estresse oxidativo.

Estudos sugerem a hipótese de que o consumo de ácidos graxos poliinsaturados melhorem a plasticidade neuronal, portanto melhoram a capacidade da aprendizagem do exercício físico o que leva a  melhora do desempenho e, induzam a proliferação de mitocôndrias causando um efeito ergogênico, além de melhorar a inflamação ocasionada pós exercício físico. Mais estudos devem ser feitos elucidando a relação do consumo de ácidos graxos poliinsaturados beneficiando a prática de exercícios físicos.

Referência:

CUSKER, M.M.; GRANT-KELS, J.M. Healing fats of the skin: the structural and immunologic roles of w-6 and w-3 fatty acids. Clinics in Dermatology, v.28, p.440-451, 2010.

PERINI, J.A.de.L. et al. Ácidos graxos poli-insaturados n-3 e n-6: metabolismo em mamíferos e resposta imune. Rev. Nutr, v.23, n.6, 2010.

PINHO, R.A. de. Doença arterial coronariana, exercício físico e estresse oxidativo. Arq Bras Cardiol, v.94, n.4, p.549-555, 2010.

RIEDIGER, N.D. et al. A sytemic review of the roles of the n-3 fatty acids in health and disease. Journal of American Dietetic Association, v.109, p.668-679, 2009.

SANTOS, R.D. et al. I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. Arq Bras Cardiol, v.100, n.1, suppl.3, 2013.

2 ideias sobre “Ômegas e sua relação com a saúde

  1. Tamires

    Olá! Consumo uma cápsula de ômega 3 de 1000 mg por dia e 2 de Cártamo que é rico em ômega 6, assim como 2 cápsula de óleo de cocô. Esta proporção está correta, ou é prejudicial a minha saúde.
    Atenciosamente.

    Responder
    1. Joyce Rouvier Autor do post

      Tamires,
      Muito ômega-6 é prejudicial porque tem ação pró inflamatória. Sinceramente não precisa consumir o óleo de cártamo, pois a nossa dieta já é rica em ômega-6.

      Responder

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