Diabetes: Prevalência, Sintomas, Patologias Associadas e Tipos

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Prevalência, sintomas e patologias associadas

Diabetes mellitus é uma doença do metabolismo de açúcar causada pela falta ou pela ação insuficiente da insulina. Quando a insulina não age adequadamente, a glicose não consegue entrar na célula e se acumula no sangue causando alterações no funcionamento de vários órgãos.

Em novembro de 2012 a International Diabetes Federation publicou o seguinte: há no mundo cerca de 371 milhões de pessoas portadoras de diabetes com idades entre 20-79 anos de idade, o número de portadores é crescente em todos os países, 50% das pessoas portadores desconhecem esta condição e, o Brasil ocupa a 4ª colocação entre os países de maior prevalência, 13,4 milhões de pessoas, o que corresponde a 6,5% da população entre 20-79 anos de idade.

Próximo a 90% dos portadores é do tipo 2, pouco sintomática e por isso favorece a ocorrência de complicações. Os fatores de risco para essa doença são: familiares próximos portadores, idade maior do que 45 anos, excesso de peso ou obesidade, pressão arterial alta, colesterol elevado e mulheres com antecedentes de filho nascido com mais de 4 kg.

É uma das principais causas de insuficiência renal, amputação de pernas, cegueira e doenças cardiovasculares. Alguns sintomas são clássicos de diabetes: vontade de urinar muitas vezes, fome frequente, sede constante e perda de peso inexplicada. O valor normal da glicemia de jejum é de 70-99mg/dl. De 100-125mg/dl é considerado pré-diabetes ou resistência à insulina, acima disso o diagnóstico é a diabetes.

De acordo com os estudos as causas mais prováveis para o aumento da diabetes é a globalização, crescimento e envelhecimento populacionais, urbanização e alterações no estilo de vida (alimentação inadequada e sedentarismo). A nutrição tem fundamental importância para esse quadro. A sacarose (açúcar de mesa) deve ser evitada para prevenir oscilações acentuadas da glicemia, o consumo de carboidratos complexos (ricos em fibras) devem ser prioridade, a ingestão de gordura não deve ultrapassar 30% da dieta, a ingestão de álcool deve ser moderada e, utilizar o adoçante, de preferência stevia ou sucralose, como substituto do açúcar.

Os sintomas mais comuns são urinar excessivamente, inclusive acordar várias vezes a noite para urinar, sede excessiva, aumento de apetite, perda de peso, cansaço, vista embaçada e infecções frequentes, sendo as mais comuns as de pele. Caso apresente algum desses sintomas a conduta mais adequada é procurar um médico para diagnosticar se há ou não a diabetes e iniciar o tratamento.

A concentração plasmática de glicose em jejum é um fator de risco para DCV. No entanto, a associação da glicose em jejum com a DCV é mais moderada do que outros fatores de risco como o colesterol total, o colesterol não HDL e particularmente a pressão arterial sistólica, os quais tem uma relação com a DCV que é quase linear. A concentração de 2h de glicose plasmática durante o teste oral de tolerância à glicose é um forte determinante do risco cardiovascular. A duração da diabetes também parece ser um importante determinante para o desenvolvimento de DCV. mesmo em pessoas com a tolerância a glicose normal, a secreção de insulina é prejudicada com a idade, possivelmente devido a queda da massa pancreática e da capacidade proliferativa das células beta. Os exercícios físicos também são essenciais para o controle e prevenção da diabetes. O acompanhamento médico e nutricional também é primordial.

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Vem sendo demonstrado que a disfunção microvascular afeta a disponibilidade de glicose mediada por insulina e a resistência vascular periférica, contribuindo para a resistência à insulina e a hipertensão. Pesquisadores relacionam alterações na microcirculação em pacientes diabéticos devido à resistência à insulina.

A microcirculação inclui as arteríolas, capilares e vênulas sendo essencial para o equilíbrio do metabolismo dos tecidos assim como a pressão arterial. Ela é regulada principalmente pelas células endoteliais que promovem efeitos vasodilatadores ou vasoconstritores. Estudos demonstram que a insulina por si só tem efeitos vasodilatadores. O dano endotelial presente na diabetes parece ser o fator desencadeante das complicações microvasculares como a cegueira por retinopatia diabética, doença renal terminal e amputação dos membros.

Um endotélio normal é capaz de secretar substâncias vasodilatadoras e fator hiperpolarizante promovendo a manutenção do tônus vascular, regulação da agregação plaquetária e da coagulação, modulando a inflamação e diminuindo o risco de trombos e futuramente de uma aterosclerose. O controle do nível glicêmico reduz o risco dessas complicações microvasculares por isso a necessidade de um acompanhamento médico e nutricional.

Os pacientes diabéticos devem cuidar muito bem dos pés. Alto nível de glicemia pode afetar os nervos dos pés e causar problemas de circulação do sangue.

Quando os nervos dos pés e das pernas ficam afetados, a pessoa pode começar a ter sensação de formigamento e “agulhadas”. Além do mais, pode perder a sensibilidade dos pés e não sentir dor, pressão ou alteração de temperatura. Se tiver uma lesão qualquer, pode não se dar conta dela imediatamente, ficando sujeita a infecções.

A infecção ou falta de circulação do sangue pode causar ate mesmo, necessidade de amputação.

 

Tipos de diabetes

A tipo 1 consiste em uma produção de insulina pelo pâncreas insuficiente e os seus portadores necessitam de doses diárias de insulina para a manutenção da glicose. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens. Uma vez que o distúrbio se desenvolve, não existe maneira de “reativar” as células produtoras de insulina no pâncreas. Portanto, a dieta correta, e injeções diárias de insulina são necessárias por toda a vida de um diabético tipo 1.
Diabetes Tipo 1, são considerado o diabetes da infância e juventude, atinge aproximadamente 5% do total dos pacientes diabéticos, mas pode aparecer em pessoas com até 35 anos.

A tipo 2 corresponde a 90% dos casos, ocorrendo normalmente em obesos, pessoas com mais de 40 anos, com dieta inadequada, sedentárias e normalmente é assintomática podendo levar à complicações. Em alguns casos recém diagnosticados, pode ser tratado (controlado) com dieta e exercícios físicos; em outros casos necessita de um tratamento mais rigoroso com medicamentos orais (hipoglicemiantes) e em fases mais avançadas e em pacientes de difícil controle será necessária a associação de insulina ou até mesmo a insulinoterapia intensiva.

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A gestacional é caracterizada pela presença de glicose elevada na gravidez e normalmente é normalizada após o parto, entretanto, mulheres que apresentaram esse quadro na gestação são mais propensas a desenvolverem diabetes tipo 2 tardia. Normalmente as complicações incluem queixas visuais, cardíacas, circulatórias, digestivas, renais, urinárias, neurológicas, dermatológicas e ortopédias, entre outras. Para que não haja a presença dessas complicações é necessária uma dieta adequada visando o controle da glicemia.

Amanhã publicaremos a parte II deste assunto, com conteúdo sobre Dieta, Índice Glicêmico, Exercícios Físicos e Mais.

Até amanhã!!

 

Referências

AGUIAR, L.G.K. et al. A microcirculação no diabetes: implicações nas complicações crônicas e tratamento da doença. ArqBrasEndocrinolMetab, v.51, n.2, 2007.

anad.com.br

http://www.crn2.org.br/pdf/artigos/artigos1277239635.pdf

DIAS, J.C.R.; CAMPOS, J.A.D.B. Diabetes mellitus: razão de prevalências nas diferentes regiões geográficas do Brasil, 2002/2007. Ciênc saúde coletiva. vol 17, n 1, 2012.

diabetes.org.br

HOUBEN, A.J. et al. Perivascular fatandthemicrocirculation: relevancetoinsulinresistance, diabetes, and cardiovascular disease. CurrCardiovascRisk Rep, v.6, p.80-90, 2012.

OLIVEIRA, B.da.S.; COELHO, S.C. Contagem de carboidratos aplicado ao planejamento nutricional de pacientes com diabetes melittus, Revista Brasileira de Nutrição Clínica, v.27, n.4, 2012.

REBELO, A.B.; VAZ, E.M. Associação de Diabetes Mellitus com transtornos alimentares, Nutrire, v.39, n.2, p.252-264, 2014.

VARELLA, D. Coleção doutor: guia prático de saúde e bem-estar. Editora Gold. São Paulo, 2009.

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